“Papagaio que acompanha joão-de-barro vira ajudante de pedreiro”
Mais um provérbio espirituoso da coleção de ditados populares. Não é lá muito difícil interpretar o seu significado: quem anda com más companhias, frequentemente acaba influenciado por elas. O contrário também é verdade: quem anda com gente de bem, tem tudo para seguir o seu bom exemplo. Em síntese, você é influenciado de forma positiva ou negativa a depender da convivência.
É um ditado irmão de outro de sentido muito similar: “Diz-me com quem andas e eu te direi quem és!”, que também faz lembrar aquela explosão característica de quem perde a paciência: “Vá procurar a tua turma!”.
Já tivemos oportunidade de dizer em nossos artigos que os ditados populares vêm carregados de sabedoria milenar. E a frase escolhida de hoje revela o quanto devemos estar atentos com nossos filhos e, claro, conosco mesmo. Há sempre o risco de nos aliarmos a pessoas que não conhecemos bem e que podem nos levar à ruína. São as tais ciladas de que a vida está cheia.
Quanto aos filhos, todo cuidado é pouco. Sobretudo com os amiguinhos da mesma idade, pois esses têm uma capacidade de influenciar e arrastar muito maior. Ainda mais na adolescência, idade melindrosa, quando o jovem quer dominar o mundo, lançar-se em aventuras, viver uma liberdade que promete lhe trazer toda sorte de alegria e prazer. As más companhias não empurram de uma vez para o abismo; elas vão ensinando a pessoa a achar normal o que destrói por dentro.
Oportuno notar, também, que pessoas bem-sucedidas recomendam não andar com pessoas amargas, lamuriosas, queixosas, que vivem alimentando negatividade… Não se trata apenas de um mero pessimismo, trata-se de gente que puxa os outros pra baixo. E, sem dúvida, isso nos leva ao fracasso.
Recentemente, um jogador de futebol relatou que começou muito bem na base de um time grande, ganhando títulos e se destacando. Foi contratado para jogar no time principal de outras equipes, porém, escolhas erradas e “amigos” o levaram ao descaminho. Justamente o que fez com que ele se reencontrasse foi um amigo de infância, mais velho que ele, mas que lhe serviu de referência no esporte. Através dele, pôde recuperar não só o seu bom futebol, mas a via do bem.
A história desse jogador mostra que as companhias podem tanto desviar quanto recolocar alguém no caminho certo. Afinal, se um papagaio que acompanha joão-de-barro vira ajudante de pedreiro, quem caminha ao lado de pessoas de bem também acaba aprendendo a construir uma vida melhor.